Operação mira esquema de atestados falsos para beneficiar presos em SC
Ação do GAECO cumpriu, na manhã desta terça-feira, prisões e dezenas de buscas; policial é baleado durante abordagem.
Uma operação de grande porte deflagrada na manhã desta terça-feira (5) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), ligado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), tem como alvo um esquema criminoso que utilizava atestados médicos falsos para favorecer detentos do sistema prisional catarinense.
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Batizada de “Efeito Colateral”, a ação dá apoio a uma investigação conduzida pela 8ª Promotoria de Justiça da comarca de Itajaí. Conforme apurado, o grupo investigado atuava na emissão de documentos médicos ideologicamente falsos, simulando doenças graves para embasar pedidos de prisão domiciliar a presos do Complexo Penitenciário do município.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão e 37 de busca e apreensão em diversas cidades de Santa Catarina — como Camboriú, Balneário Camboriú, Joinville e Navegantes — além de municípios do Paraná. Durante uma das abordagens, um dos alvos reagiu e efetuou disparos de arma de fogo. Ele acabou preso em flagrante, mas um policial militar que participava da operação foi atingido. O agente recebeu atendimento imediato e foi encaminhado ao hospital, permanecendo em estado estável.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos mais de R$ 100 mil em dinheiro, três armas de fogo, dezenas de munições, celulares, equipamentos eletrônicos e documentos que agora passam por análise.
As investigações indicam que uma advogada e um médico atuavam em conjunto para produzir laudos falsos, que eram utilizados em processos judiciais para tentar garantir benefícios a presos. Entre os favorecidos estariam, em sua maioria, lideranças criminosas, que após obterem prisão domiciliar, frequentemente descumpriam as medidas impostas pela Justiça e passavam à condição de foragidos.
Segundo o GAECO, foram identificados arquivos com exames, receituários e conversas entre os envolvidos que sugerem a combinação prévia de diagnósticos fictícios. O material apreendido será submetido à perícia da Polícia Científica de Santa Catarina para aprofundar as apurações e identificar outros possíveis envolvidos.
A operação mobilizou mais de 200 agentes das forças de segurança, incluindo policiais militares, civis, penais e bombeiros, além de promotores de Justiça. O caso segue sob investigação e tramita sob sigilo.
O nome “Efeito Colateral” faz referência às consequências negativas do uso indevido de documentos médicos para manipular decisões judiciais, gerando impactos no sistema de justiça e comprometendo a credibilidade das instituições.
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